Dona Palmira
Se a Ranucci existe, é por causa dela. Ela discordaria.
Palmira Ranucci nasceu na Água Rasa, na primavera do icônico ano de 1922. A família tinha mãe, pai e dez irmãos, vários dos quais ela ajudou a criar. Quando se casou com seu Antônio Tavares, veio o desejo de ficar mais perto do coração do bairro que sempre amou: a Mooca.
Apesar de tímida e de gostar de uma vida reservada, dona Palmira tinha muitos amigos e passava as tardes jogando conversa fora no portão de casa, prática comum até hoje no bairro. Também não era raro encontrá-la na Cantina 1020, diante de um agnolotti à moda, o carro-chefe da casa, cantando músicas italianas com a família. Amava picolé de coco queimado, um sabor que fazemos questão de ter sempre na loja.
De sangue meio italiano, meio espanhol, era determinada e independente: faxinava a própria casa aos 90 anos de idade. Mesmo sendo turrona às vezes, sempre tinha uma piada na ponta da língua.
Morou um tempo na Praia Grande, mas a Mooca sempre foi o seu lar. No sobrado da Rua Cristianópolis, ela viveu, cultivou amizades e encheu os dias de ocupações.
A vida não foi fácil para ela, é verdade: perdeu todos os irmãos, os dois filhos e o marido. Mesmo assim, dona Palmira sempre encontrou um jeito de seguir em frente.
Ela avisou que não queria foto
13 de dezembro de 2012, o dia dos 90 anos dela.
Por seu amor pela Mooca e sua força de viver, Palmira Ranucci nos inspira todos os dias. Esta gelateria vive em sua homenagem, quer ela concordasse ou não.
Provar o coco queimado dela