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Dona Palmira

Se a Ranucci existe, é por causa dela. Ela discordaria.

Retrato antigo de Palmira Ranucci, jovem, de cabelos presos, colar de pérolas e vestido xadrez de gola larga.
Turrona Tímida Amorosa

Palmira Ranucci nasceu na Água Rasa, na primavera do icônico ano de 1922. A família tinha mãe, pai e dez irmãos, vários dos quais ela ajudou a criar. Quando se casou com seu Antônio Tavares, veio o desejo de ficar mais perto do coração do bairro que sempre amou: a Mooca.

Apesar de tímida e de gostar de uma vida reservada, dona Palmira tinha muitos amigos e passava as tardes jogando conversa fora no portão de casa, prática comum até hoje no bairro. Também não era raro encontrá-la na Cantina 1020, diante de um agnolotti à moda, o carro-chefe da casa, cantando músicas italianas com a família. Amava picolé de coco queimado, um sabor que fazemos questão de ter sempre na loja.

Dona Palmira idosa, de blusa listrada, olhando para a câmera de garfo na mão, no meio de uma garfada, em uma mesa da Cantina 1020.
Na Cantina 1020, em maio de 2011.

De sangue meio italiano, meio espanhol, era determinada e independente: faxinava a própria casa aos 90 anos de idade. Mesmo sendo turrona às vezes, sempre tinha uma piada na ponta da língua.

Morou um tempo na Praia Grande, mas a Mooca sempre foi o seu lar. No sobrado da Rua Cristianópolis, ela viveu, cultivou amizades e encheu os dias de ocupações.

A vida não foi fácil para ela, é verdade: perdeu todos os irmãos, os dois filhos e o marido. Mesmo assim, dona Palmira sempre encontrou um jeito de seguir em frente.

Ela avisou que não queria foto

13 de dezembro de 2012, o dia dos 90 anos dela.

Dona Palmira no banco de um carro, com o rosto de perfil, balançando o dedo em sinal de não diante da câmera. A mão aparece borrada pelo movimento. Dona Palmira no mesmo banco, segundos depois, de mãos juntas, encarando a câmera com expressão séria.

Por seu amor pela Mooca e sua força de viver, Palmira Ranucci nos inspira todos os dias. Esta gelateria vive em sua homenagem, quer ela concordasse ou não.

Provar o coco queimado dela